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Gerenciar Pessoas - Gestão
Pablo J. Wolfsdorf

Nas últimas décadas estamos assistindo, quase inertes, à crescente “especialização” (melhor seria dizer robotização) de pessoas, nas mais variadas áreas de atuação. O pião e o carrinho de roleman, antigamente utilizados por crianças de todas as idades para gostosas brincadeiras, são agora lembrança de museu. Eles foram substituídos por brinquedos eletrônicos que fazem quase tudo sozinhos tornando as crianças meras espectadoras. Jogos carteados, muito usados por adultos como forma de passatempo, estão hoje disponíveis em todas os computadores, embutidos nos utilitários dos sistemas operacionais. Novamente estamos nos isolando.
Até mesmo o telefonema, aquele contato quase pessoal, embora distante e frio está sendo substituído pelo e-mail.

Nas empresas, a realidade não é muito diferente, Equipamentos com comando numérico substituem a intervenção humana, e-mails e intranet os contatos pessoais, sistemas especialistas a necessidade de assessores e assim por diante.

Mas esse é o preço a pagar pelo progresso dirão alguns. Responderia a essa questão com outras indagações, quais sejam:: Estamos realmente progredindo ou são nossos valores que estão sendo modificados? O que estamos acrescentando à nossa capacidade de nos relacionar e interagir com terceiros?
Em “1984” George Orwell fazia alusão ao Grande Irmão, um Ser que regularia todas as relações entre estado e sociedade, bem como entre os próprios indivíduos. Ele não era um líder, um chefe ou um comandante. Ele era o ser supremo, ele era a própria Lei.

Muito diferente disso é o ambiente das empresas.
Nestas, a lei é o conjunto de normas que regem as relações internas e externas da empresa no ambiente em que ela opera. Já na sociedade, a lei que a rege e ordena é constituída por um código de preceitos e costumes éticos.
Na sociedade a lei é aplicada incondicionalmente e busca abranger a maior amplitude possível em busca da justiça.
Nas empresas, as leis/ordens são substituídas por negociações e diálogos entre partes, em busca do entendimento. E para que isso ocorra, é necessário, senão imperioso, que as partes estabeleçam um código de comunicação/atitudes que lhes seja comum.

Mas, e o comando, a condução de pessoas como fica nas empresas?
Com profundo pesar estamos presenciando a um distanciamento cada vez maior entre as pessoas, nas empresas. A liderança, a capacidade de motivar outras pessoas, as técnicas pessoais para se relacionar com pessoas, são cada vez mais escassas nas organizações. O ambiente outrora alegre, quase familiar, está transformando-se em um lugar em que as pessoas substituíram o sorriso pelo cenho carrancudo, e que confundem seriedade com a incapacidade de sorrir, de estar feliz.
De quem é a culpa?
Possivelmente de todos, ou talvez de ninguém!

O mundo globalizado tem um preço muito elevado. Exige maiores quantidades, menores preços e prazos, maior controle, frieza, enfim maior concorrência. As técnicas outrora utilizadas para motivar pessoas e fazê-las render mais foram postas em desuso, afinal máquinas fazem tudo isso e não precisam de motivação. Certo?
Errado! Totalmente errado!

Por mais que se queira jamais poder-se-á substituir a presença humana, quer nas fabricas quer nos ambientes de escritório.
Pessoas necessitam para poder produzir - quantitativa e qualitativamente - de ferramental técnico, condições psicológicas e treinamento profissional para lhe servirem de subsídio (complemento) a fim de que possam utilizar plenamente seu potencial.
Gerencias e chefias bem treinadas são uma garantia para a empresa e constituem o alicerce de desenvolvimento dos funcionários.
E é justamente a estes gerentes e chefias que cabe a enorme responsabilidade de manter o conjunto (ou o que restar dele) coeso e motivado. Fazer com que o individualismo fique de lado sem com isso tolher a personalidade ou os anseios pessoais.

Devem tornar-se líderes, reconhecidos como tal pelos seus subordinados e também pelos seus superiores; negociadores hábeis e tomadores de decisões não titubeantes.
Isso é o que deles se espera!
Mas, onde encontrar esses profissionais?
Na maioria das vezes eles estão muito próximos de nós, na nossa própria empresa, necessitando apenas de treinamento ou de uma oportunidade. Capacidade de Liderança e Motivação podem ser desenvolvidas, assim como técnicas de Negociação e Inter-relacionamento Pessoal.

O que estamos esperando?

Pablo J. Wolfsdorf é consultor, Economista, Mestre em Sistemas de Informação e Pós Graduado em Administração de Empresas. Professor Universitário com ampla vivência em empresas públicas e privadas.